quinta-feira, 17 de abril de 2008

Criminalidades...

Ao centrar a questão do aumento da criminalidade nos seus aspectos policiais, tanto Carlos César como os restantes políticos estão a cometer um erro de graves consequências. E não só demonstram o seu mais completo desnorte em relação ao tema, como estão a escolher um caminho que claramente não interessa à Região. Já não nos bastava estarmos "presos" nas ilhas, um modelo de "estado policial" será um sufoco ainda maior. E também é retirar o enfoque ao problema real.
Em momento de despedida da Região, o Comandante da PSP também não prestou um contributo positivo à questão, quando refere que a criminalidade "só" aumentou em Ponta Delgada. Só? Pois, é "só" onde vive 25% da população açoriana – e, honestamente, o que necessitamos é de ver números que comprovem esse tipo de observações. Afinal de contas, ainda há pouco tempo a insegurança era apenas uma questão psicológica…
Na realidade, parece cada vez mais imprescindível um Relatório da Segurança Interna Regional, que permita compreender este fenómeno à luz da nossa realidade. O Relatório nacional é muito genérico e claramente não é um documento capaz de basear as muitas políticas que são necessárias adoptar num futuro próximo.
De qualquer modo, permite perceber que cerca de 40% das queixas têm a ver com actos de violência – e isso é suficiente para nos fazer reflectir sobre o tipo de sociedade que temos. Mas essa não é uma responsabilidade de Sócrates – é sobretudo de César! E se as causas dessa situação são múltiplas e têm de ser estudadas profundamente, é também imperativo repensar o modelo da resposta que tem vindo a ser dada. Porque claramente – se é que existe sequer consciência disso – quem tem responsabilidades sociais está a falhar redondamente.
Responsabilizar os outros pelas nossas próprias culpas não é só uma atitude de mau perdedor – é estar a brincar com coisas muito sérias!

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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Mais uma "comissão"...

Da reunião da lavoura com os industriais de segunda-feira, voltou a confirmar-se a máxima de se constituírem comissões (e afins) quando se quer protelar a resolução de um problema. E têm razão os lavradores em sentirem que se tratou sobretudo de uma tarde perdida – porque foi mesmo isso que foi.
Aliás, tem o seu quê de patético que esta tenha sido a única resposta possível, quando se estava perante uma espécie de revolução, com a eliminação do sistema de preços de Verão e Inverno – um modelo que dura já há muitos anos. Perante a dimensão do desafio, esperava-se mais que orações e esperanças e que já existissem dados concretos (os tais que agora foram remetidos para o próximo ano) com os quais "apertar" a indústria.
Para alguns, o desenlace apenas prova a incompetência governamental, mas poder-se-ia contrapor que talvez não, tendo em conta o agrado com que o Governo contemplou a sua própria ideia. Mas na realidade o objectivo governamental nesta área está reduzido a um único ponto: manter a "paz social". Especialmente em ano de eleições…
Mas convenhamos, é pouco como objectivo, muito pouco mesmo. E a paz que daí advenha, apenas pode ser podre: na realidade, são mais alguns milhões de euros que saem dos Açores por via da indústria – e desaparecem dos bolsos de inúmeros produtores.
A indústria não conseguiu, até ao momento, ser convincente em relação aos seus argumentos. Mas tal como o leite não começa a jorrar no dia 1 de Março nem desaparece a 1 de Setembro, os lavradores teriam de estar preparados para a eventualidade desta decisão. Afinal de contas, o desafio – o grande desafio – para os lavradores, esse mantém-se, porque em negócio… é na poupança que está o ganho!!!

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Cuidado com as promessas...

Terminado o passeio milionário a Cabo Verde, o balanço deixa-nos apreensivos. Não por todos os objectivos que foram descortinados – que no papel são deveras interessantes -, mas pelos próprios caboverdeanos que, sem um país e uma Europa que os suporte, poderão acabar por ser vítimas dos intuitos cristãos do nosso governo.
Aliás, qualquer analista pode ficar apreensivo como é que uma região que tem ainda carências tão grandes (pelos padrões europeus) no seu próprio território, se lança numa aventura internacional deste calibre. Os caboverdeanos devem igualmente meditar se os Açores terão realmente alguma capacidade para cumprir o que andaram a prometer.
Dentro dos Açores, mais uma vez não se ouviram vozes independentes que contribuíssem para o enriquecimento da iniciativa governamental. É, obviamente, um sinal de que alguma coisa não vai bem ao nível civilizacional cá dentro, mas sobretudo é a garantia que metade dos propósitos não foram cumpridos: quando César dizia que a visita era "uma marca indelével no relacionamento dos governos dos Açores e de Cabo Verde, bem como dos respectivos povos", bem que pode ir riscando a segunda parte...
É evidente que em termos teóricos este tipo de relacionamentos é sempre positivo – especialmente se conseguíssemos cumprir. E é aí que fico com as muitas dúvidas, até porque a qualidade do que foi feito nos Açores nas diversas áreas abordadas é, no mínimo, muito discutível. No papel, dizer que se vai apoiar Cabo Verde na Educação e Formação Profissional, na Agricultura e Meio Ambiente, na Saúde e Assuntos Sociais, na Protecção Civil, na Defesa do Consumidor e no Ordenamento do Território pode parecer muito interessante – não estivéssemos nós próprios confrontados com problemas gravíssimos em todos eles.
Acima de tudo, convém não desviar a atenção do que é realmente preciso fazer cá dentro…

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ENTREDENTES

Oops, então José Sócrates também é responsável pelo aumento da criminalidade nos Açores – uma tendência que já se verifica há 8 anos, mas que não tem nada a ver connosco: é importação. Que rica maneira de se descartar das responsabilidades… Mas também demonstra uma outra visão que é muito original: o problema tem apenas a ver com a falta de polícias. Curioso, sem dúvida, apesar de termos mais presos per capita que o resto do país, César (e os restantes políticos convencionais, diga-se de passagem) quer mais. Não sei, sinceramente, mas pensar que mais polícias, por si só, resolve o problema, é acreditar na galinha dos ovos de ouro. Bem, quer dizer, César tem provas que ela existe…

Mas Cabo Verde deve ter qualquer coisa de estranho. Não é que o Presidente agora quer que os açorianos – tesos como são – vão investir para aquele arquipélago? É o que se pode chamar de "internacionalização da autonomia" – ou, mais à moda de cá, de "Autonomia Internacional" (ou "Macaronésica", embora esta possa parecer piada)… Quer dizer, cá dentro anda a pedir que venham de fora investir nos Açores – e paga aquelas excursões aos norte-americanos; lá fora quer que os tesos dos nossos empresários vão lá investir. Não sei, não, mas se começasse a fazer umas perguntinhas sobre a "economia real" que cá se vive, talvez percebesse que eles foram lá todos não foi para verem onde investir – foi para aproveitarem as férias à borla…

E para terminar com este ciclo de Cabo Verde, mais uma calinada: César a criticar "os de esquerda" por apontarem o dedo aos mega lucros da banca. Quer dizer, já não é só o PS que não é dos socialistas – pelo menos não é só, como quer o líder –, agora é o próprio César que não gosta de esquerdices. Resultado, à pala de tentar converter social-democratas, populares e sabe-se lá mais o quê, acabou sendo ele o convertido. Oh, Deus meu, se ele ao menos soubesse estar calado… Está bem que os bancos ganhem qualquer coisa, mas tanto que paguem fortunas aos seus administradores acho difícil de acarinhar. Enfim, é o que está a dar!

Já agora, será que a famosa "polícia municipal" vai resolver alguma coisa? Talvez, não sei. Mas o que sei é que as suas atribuições são sobretudo "fiscais" – passar umas multas aos carros mal estacionados, proibir namorados de se beijarem nos jardins e coisas do género. É verdade que terão a vantagem de retirar as actuais forças policiais "a sério" dessas funções – o que já não é mau – mas cheira-me que a criminalidade não vai baixar por causa deles. O que vai aumentar é a despesa corrente – a segurança, talvez nem por isso…

Esta nova "guerra do leite" é um bom imbróglio, sim senhor, mas tenho cá as minhas dúvidas se o boicote aos produtos da Bel irá ter algum resultado. Quer dizer, não terá, porque o mercado local é quase residual – e ainda estou para ver qual será o açoriano que se embalará nestas cantigas do "interesse açoriano". Cheira-me que poucos. O problema continua a ser o mesmo: a hiper-dependência ao leite é perigosa e o mais correcto neste momento não é aumentar a quantidade de leite mas sim baixar os factores de produção. É, de resto, o que a Bel está a fazer…

Em relação à Unileite, só espero que os seus administradores saibam o que estão a fazer, porque a verdade é que este é um momento propício para aumentar a sua quota no mercado da produção. Não será por causa de uns prejuisozitos com a Prolacto que a porca torce o rabo – só pode acontecer é que os lavradores não venham a receber dividendos no final do ano. Não creio que seja suficiente, mas pelo menos mantenham a ideia de que a moda dos "preços de Verão e de Inverno" é história: o leite até pode vir a baixar, mas não será por ser Verão… De qualquer modo, nunca esqueçam ditados velhos como a vida: é na poupança que está o ganho…

Já sabemos que as polícias e os tribunais têm o seu vocabulário próprio, mas há expressões que, quando são passadas para o exterior, mereceriam algum tratamento. É o que aconteceu com os últimos traficantes apanhados em Ponta Delgada, que tinham consigo "uma avultada quantia monetária do Banco Central Europeu"… Seriam euros? Provavelmente. E quando forem dólares, será uma quantia monetária da Reserva Federal Norte Americana? Talvez – mas não havia necessidade, até porque as quantias monetárias do Banco de Portugal já não têm qualquer valor…

Esta coisa de ir aos fóruns para deixar no ar perguntas – como aconteceu com o governo no caso do Fórum da Criança sobre a Internet – é uma moda que já devia ter passado. Mas que se mantém sabe lá Deus porquê (embora eu tenha cá as minhas suspeitas que terá qualquer coisa a ver com o facto dos perguntadores não saberem as respostas…) Bom, mas então é assim: como ter crianças responsáveis se os pais não o são? Não sei – essa é difícil, mas é porque a resposta é muito óbvia. Agora esta: como manter as crianças seguras na Internet se os pais não percebem nada disso? Fácil: é preciso atraí-las para actividades que queremos que sejam a referência mais saudável. Claro que isso é uma missão do Governo, mas o que fazer se ele se demitiu dessas funções? Não sei, é uma pergunta difícil de responder – mas, de novo, pelo óbvio da resposta…

Criou-me alguma estranheza a notícia de que um alegado complexo hoteleiro a ser construído na zona da Praia do Pópulo poderia ameaçar um alegado património do século XVIII. Olhem, faz-me lembrar a Fábrica de Baleias dos Poços de S. Vicente – só que totalmente diferente: ali, via-se o património mas ninguém se importou e ele desapareceu; aqui não se vê o património mas já há quem o defenda… Dou um conselho aos promotores da ideia – e aos responsáveis pelo turismo e ambiente: se aquilo é património, por que raio é que não está já tratado e bem apresentado? Enfim, é mais uma que vai desaparecer – começa a ser hábito: cheira-me que daqui a uma ou duas gerações vão achar que éramos uns papalvos monumentais!

E uma imperdível: então a SATA está a estudar a privatização dos Transportes Aéreos de Cabo Verde? Deve ser para aprender como os caboverdeanos andam com os ATR...


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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Crime: a culpa é de Lisboa?

Mui convenientemente, o Presidente do Governo acusou ontem o Governo da República pelo aumento da criminalidade nos Açores – uma tendência que se vem verificando nos últimos anos, embora aparentemente só agora seja reconhecido pelas entidades oficiais. Só agora, recorde-se, quando perceberam que os argumentos de que, ou era alarmismo de jornalista ou era questão de psicologia, já não colhem entre a população.
A isto chama-se mau governar: uma tendência com 8 anos que só ao oitavo é enfrentada, demonstra uma lentidão de actuação digna de nota. Mas também vem mostrar as virtudes da nossa "autonomiazinha": quando a situação sai de controlo, culpa-se o pai nacional...
Mas nem a culpa é principalmente do Estado, nem a solução é exclusivamente policial. É que a ter em conta o número de "camas" prisionais que temos e a sua elevadíssima "taxa de ocupação", a realidade é que as autoridades policiais têm conseguido fazer bem o seu papel: temos, per capita, uma das maiores populações prisionais do país…
O problema é outro: aparentemente produzimos é bandidos a mais… E isso é uma consequência directa do falhanço das políticas sociais que temos – e que são da exclusiva responsabilidade regional. Mas isso não convém dizer. É mais fácil culpar José Sócrates e sacudir a água do capote, atirando mais alguma areia aos olhos dos açorianos – que por esta altura já se habituaram, e se calhar até já gostam… Pode funcionar em termos propagandísticos – e estou em crer que realmente funciona – mas não deixa de ser baixa política e uma descarada mentira (ou "inverdade", como muitas vezes eles preferem dizer)!
Na realidade, as acusações de César à República apenas demonstram que os políticos regionais não têm a mínima ideia como resolver o problema da criminalidade na Região. Neste caso, poderão sempre dizer que é por… falta de competência!

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Aérea de Cabo Verde?!?

Não deixou de ter piada ouvir a notícia de que a SATA poderá estar interessada na privatização da TACV - Transportes Aéreos de Cabo Verde – ela que, pela mão do Governo, está a equacionar, para não dizer outra coisa, a sua própria privatização. É, por isso mesmo, uma manifestação de interesse algo estranha, isto já para não mencionar uma diferença radical que existe entre ambas as empresas: a TACV continua a apostar nos ATR, a SATA diz que eles não prestam… O mundo tem destas coisas!
Ontem tivemos acesso a mais dados sobre o enredo aéreo – e as acusações são ainda mais graves do que as que publicámos ontem. Na prática, o "memorando" emitido pela SATA é uma espécie de tiro no pé do seu administrador, tantos são os erros, omissões e até descaradas mentiras. O PSD na Assembleia arrisca-se a fazer um brilharete e o Governo a passar por uma vergonha – mas isto, claro, só no plano teórico. Entretanto, fica o sentimento de que se a opção da SATA pela Bombardier for em frente, temos uma região a saque. Porque até poderia admitir que por questões estratégicas se optasse pelo mais caro e mais gastador – mas que diabo, teríamos de ficar com a certeza de que todas as hipóteses foram estudadas. O que não é o caso – e isto entristece-me profundamente: afinal de contas, quem está a gerir os nossos bens públicos preocupa-se cada vez menos com a transparência que é imprescindível em democracia.
Por outro lado, vão passar a mandar-nos para casa as facturas do que custamos ao Sistema Regional de Saúde. Sei o que sentirá, por exemplo, qualquer diabético, ao saber que custa uma pequena fortuna. Será isto correcto? É evidente que não, mas a ideia deve ser outra: ou fazer-nos sentir culpados por ficarmos doentes, ou agradecermos com os nossos votos aos "santos" que nos dão tanto dinheirinho. Sinceramente, quanto receberem algumas dessas "facturas"; atirem-nas ao lixo sem as abrir…

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terça-feira, 8 de abril de 2008

Parar, já!

A resposta da SATA sobre a escolha da Bombardier demonstra claramente que houve desde o início o propósito de escolher um dos candidatos – o facto de se mentir em relação à capacidade de um dos aviões em operar no Corvo é claro indício disso mesmo. E quando isso é assim, estamos mal. Não aponto o dedo a ninguém, mas imagino que um gestor que vá ao mercado comprar o que quer que seja vai tentar ao máximo que haja vários fornecedores candidatos – e ter em sua posse todos os elementos. Não é o que se vê neste memorando.
A questão adensa-se ainda mais, quando consta que a SATA pediu na semana passada à Bombardier para lhe fornecer um relatório técnico a basear a escolha realizada. Isso simplesmente não é admissível pois esse é o tipo de documento que se esperava que a SATA tivesse em sua posse quando anunciou a sua escolha. E piora quando a filosofia que parece subjacente a este documento – que é, por muitos padrões, enviesado e até tosco – vai no sentido de privilegiar voos no exterior e de diminuir o número de frequências nos Açores, prejudicando-nos ainda mais. É esse o modelo que se pretende? Não creio que seja o ideal e essa opção terá de ser muito bem explicada.
As inúmeras lacunas – e mesmo inverdades – contidas neste documento penso que aconselham a discussão do tema na Assembleia Regional – e aí o PSD esteve bem. Só não pode ser é numa situação de facto consumado!
Aliás, é toda a política estratégica que está em jogo na opção que vier a ser tomada. Até há a questão do que fazer com actuais ATP – e já há mesmo quem defenda que poderá ser um erro vendê-los, podendo optar-se por os converter em aviões de carga, para operar nos Açores e no exterior. É sobre isso tudo – e mais ainda – que as decisões têm de ser tomadas e conhecidas do grande público. Por uma questão de bom senso, o processo de decisão devia ser suspenso.

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